segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ao jeito de desenho japonês.

Costumo comentar, meio a rir, nem sempre a brincar, que a primeira vez que me apaixonei ainda não tinha saído do hospital. Aconteceu, estava eu numa cama de 70x40cm. A certeza não me é dada por nenhum médico no local, mas se tivessem sido rigorosos, essa informação constaria hoje na minha ficha clínica. Garanto, se nasceu algum menino no dia 2 de Fevereiro de 1984 e nessa noite, por acaso, dormiu na enfermaria do piso 7 do Hospital de Santa Maria, a sua presença não me foi indiferente.
Sou assim, desde que me compreendo: apaixonada crónica sintomática. Viciada nesta (in)constância que é o amor. Foram os Carlitos, os Davides, os Pedros, os Nunos, os Joões, os Migueis e os Filipes. Foram muitos mais com nomes menos comuns e outros até cuja forma de chamar, nunca virei a saber.
Quem consegue viver (pelo menos bem?) sem um amor, mais ou menos intenso, mais ou menos duradouro, mais ou menos intencional? É o rush de um olhar no metro, a marotice de um sorriso que fica pendurado na boca mais tempo do que o usual, o fervor de um toque duvidosamente não intencional, a adrenalina de umas quantas palavras carregadas de segundas intenções, uma distância encurtada pelo desejo... e o coração que saltita, descontrola-se e desata a brincar às arritmias. Por vezes, nem é nada disto e é tão somente a segurança de um cheiro conhecido, de um peito prometida e erradamente nosso. Depois, a desventura, sempre e inevitavelmente seguida de nova aventura. E assim se vão sucedendo as minhas eternas translações em redor do amor.
Não deixa de ser um vício meu que, por vezes, me deixa incapacitada - não foi à toa que regressei a casa quase inerte, após um parto aparentemente tranquilo; havia perdido o meu primeiro amor - mas que me tem aberto sempre novas portas para viver uma cascata de emoções. Das boas, maioritariamente. Vivo para sentir e faço-o usando todas as minhas forças.

Por isso, desculpem-me os diagnósticos científicos que conotam negativamente o amor sucessivo. Desculpem-me as feministas, que crucificam este maravilhoso sentimento em defesa de uma aparente liberdade. Desculpem-me os amigos, que me tentam convencer a declarar um time out a paixões intensas.

Desculpem-me, porque eu, de mim para mim mesma, cá vou amando. Por vezes em segredo, por vezes aos olhos do mundo. Às tantas sozinha, noutras, lado a lado. Mas sempre, sempre amando, deste meu jeito inevitável. E fatídico.


E agora, a pergunta do dia: Porque reflicto sobre isto?

1 - Passei uma hora a responder a um questionário sério e certificado por entidades mais do que competentes que, no fim, me diagnosticaram "a doença";
2 - li uma reportagem sobre acompanhantes de luxo masculinos, que comprova a teoria de que a mulher é como a galinha, até pode ter um galo no galinheiro, mas anda sempre a galar os outros (e acrescento um novo contacto no messenger);
3 - sinto-me apaixonada e oiço incansavelmente canções de amor no meu leitor de mp3;
4 - todas as anteriores;
5 - nenhuma das anteriores.

Chamem-lhe sorte ou azar, mas devo ter visto muitos desenhos animados. E daqueles japoneses:



1 comentário:

AP disse...

"Quem consegue viver (pelo menos bem?) sem um amor, mais ou menos intenso, mais ou menos duradouro, mais ou menos intencional?" ;

"Desculpem-me, porque eu, de mim para mim mesma, cá vou amando. Por vezes em segredo, por vezes aos olhos do mundo. Às tantas sozinha, noutras, lado a lado. Mas sempre, sempre amando, deste meu jeito inevitável. E fatídico".

ADOREI!!!!!!!!!!