No escuro da noite estico o braço. Não te toco. Sustenho a minha respiração. Não oiço a tua. Oito anos depois, incomoda-me a distância que a partir de hoje nos separa: duas portas e um corredor. E sei que vou adormecer com medo de não te ouvir chamar, se a solidão também te afligir:Um: Mãe, posso dormir contigo às vezes, quando me sentir sozinho?
Meio: Sim, podes.
Ganhas confiança, sopras o reizinho que vive em ti.
Um: Mãe?
Meio: Sim...
Um: Se tenho um quarto só para mim, vais ter de passar a bater à porta quando quiseres entrar.
Respeito.
Meio: Está combinado.
Rogo-lhe em silêncio. «Não feches a porta muitas vezes. Dá-me saudades.»
Quando a hora chega, deitas-te por fim. Com as lágrimas a escorrer. Repreendo-te com mimo (o meu ou o teu?):
Meio: Não te quero ver a chorar por uma coisa destas!
Encosto a porta e deixo que o fenómeno se reproduza em mim. Solto uma lágrima ou duas.
Estamos os dois a crescer. Mas um dia destes, estaremos do tamanho do Mundo. Está prometido.
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