terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parto rumo à maravilha

Ornatos Violeta está num outro patamar, num campeonato aparte, num universo longínquo. Porque começa noutro tempo, quando a MTV não era tudo. Havia o Sol. E haviam tardes depois da escola à volta desse canal. E haviam confissões, e haviam cumplicidades e davam-se nós nos laços há muito criados.
Ornatos transporta-me sempre para esse tempo, até para um dia específico qualquer, onde sei as posições de cada jogador e o que tínhamos, exactamente, em cima da mesa. Quando "Ornatos" não era mais do que uma palavra estranha e "Violeta" uma cor cool, e havia alguém em Portugal suficientemente avariado para se se mascarar de bicho e gravar um "teledisco".
A voz de Manuel Cruz transporta-me sempre para esse dia. Para esses dias. E ensinou-me, ao seu jeito, a dar sentido às palavras. Capitão Romance para vocês. E para mim.




Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Parto rumo à primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu
Esperam-me ondas que persistem
Nunca param de bater
Esperam-me homens que desistem
Antes de morrer
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou

Eu vi
Mas não agarrei

Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Páro pra sentir
E dar sentido à viagem
Pra sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz coragem
Volto a partir em paz

Eu vi
Mas não agarrei

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Underneath it all



Acho que era capaz de gostar de mulheres.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Não te esqueças!

O problema do desentendimento dos sexos resume-se a isto:

Ela larga tudo por ele. Elas largam sempre tudo por eles.

Ele larga tudo por ele. Eles largam sempre tudo por eles.

A solução, encontrei-a aqui. E hoje, é o que te digo a ti: Be your own best friend.

E no entretanto, sorri.

sábado, 23 de janeiro de 2010

O meu Juno foi no ano lectivo 2000/2001

É demasiado pretensioso comparar-me a Juno, mas não resisto. Este é um dos filmes da minha vida e as razões, para quem não for óbvio, estão na trama principal: viver uma gravidez aos 16 anos!

Eu era a miúda pouco feminina para quem a música revolucionária era tudo. A barriga que carregou o Um cresceu nos corredores de uma escola secundária, entre os olhares de lado de muitos e o carinho dos melhores amigos de sempre. O sentido de humor (assumo que o meu fica muito aquém, ela é imbatível), a despreocupação natural de quem não sabe o que é pôr um bebé no mundo e a confiança de que há provações bem piores - arrisco-me a dizer que ter borbulhas no secundário é bem mais estigmatizante do que ter engravidado de um gajo mais velho, que fazia surf e nem sequer estudava (sim, foi o meu período rock and roll).
Mas não se deixem tentar com a ideia de que são estas semelhanças que me fazem adorar Juno. É mais do que isso e, sobretudo, tudo menos isso. Até porque Juno colocou na mesa duas opções que não me passaram pela ideia. É aqui que nos despedimos, mas não nos chateamos. Ela não vai andar, se tivessemos a oportunidade de assistir a Juno II, III e IV (qual Rocky Balboa ou Robocop), a insistir para o filho comer sem espalhar arroz até aos cabelos, nem a gritar «calça os chinelos!» e muito menos a implorar para diminuir o volume do som das brincadeiras. Mas Juno (sim, deixa-me tratar-te como se fosses mais do que uma excelente interpretação de Ellen Page), também não vais receber um beijo diário babado e cheio de chocolate, o abraço mais apertado, e muito menos experimentar o amor maior, o tal que realmente é sublime. Foi a tua escolha. Ou a que te destinou Diablo Cody.
Eu aplaudo Juno por outras razões: porque a gravidez na adolescência é um flagelo, mas não uma sentença de morte. Porque é tão desaconselhável como irreprovável. E eu sei que, moralmente e civicamente, os meus comentários são censuráveis, mas cansa-me que se olhe para esta problemática com fatalismo, que se coloquem bandas sonoras sinistras e nos classifiquem como "mães menores", não de idade, mas de maturidade ou capacidade.
Orgulho-me de ser a representação de uma verdade inabalável. Os maiores obstáculos são aqueles pelos quais não ainda passámos. Os outros, são canja. De galinha!

Obrigada Público, pela excelente oportunidade de comprar um dos filmes da minha vida por apenas 1,95€.

E agora, oiçam isto. A leveza do filme começa aqui:


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Perna à mostra

Quero sol e diversão!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Se eu fosse. E serei.

Um dia vou ter uma empresa. Tenho a ideia, tenho o plano delineado, tenho os produtos em mente. E nesse dia, só nesse dia, vos provarei que o que digo hoje é verdade. (Vou escrever este post ao jeito de composição de 1º ciclo.)

Se eu fosse...

Se eu fosse patroa, a quantidade de tempo que passasse a gerir o dinheiro seria igual à quantidade de tempo que dedicaria às pessoas.
Ouvia os trabalhadores, um a um, e deixava-os à vontade para dizerem o que quisessem, sem medo de represálias. Acreditava neles, porque a verdade de cada um é tão verdade como a verdade colectiva. Apaziguava as zangas, mas erradicava os perpetuadores de brigas. Despedia os abusadores de colegas e subordinados. Exigia boa disposição, bons dias e obrigados.
Premiava os que faziam mais do que o pedido - sempre que o fizessem no horário de trabalho - mas não prejudicaria os que fazem apenas o suposto - são uma fatia importante de uma organização.
Se eu fosse patroa, proibia o trabalho fora do horário de expediente, excepto em situações muito extraordinárias. Há prazos para cumprir tarefas e um intervalo de horas onde estas devem estar prontas. Quem não o conseguisse, perguntar-lhe-ia: porquê?
Se eu fosse patroa, não ignorava lágrimas de trabalhadores. Não ignorava problemas pessoais. Empenhava-me nas pessoas para que elas se empenhassem no trabalho.
Se eu fosse patroa, gostava de encontrar os meus trabalhadores no café, depois do trabalho, criando laços extra-organização. Esperava que me convidassem para os acompanhar. Dava-lhes privacidade para falarem uns dos outros. É normal. É saudável. É um escape.
Se eu fosse patroa, negava-me a defraudar as expectativas dos trabalhadores, por mim criadas ou alimentadas. E jamais diria a alguém que «ninguém é insubstituível». Porque todos somos insubstituíveis. Temos um jeito único de fazer as coisas. E porque até se arranjar substituto, há sempre o caos.

Um dia vou reescrever este post no presente. E será assim:

Sou patroa...

Sou patroa e a quantidade de tempo que passo a gerir o dinheiro é igual à quantidade de tempo que dedico às pessoas.
(...)

Pensamento do dia - quando não há mais nada, há sempre as pessoas. E as pessoas, são tudo para mim. Como este post é para ti. Obrigada.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ascabou-se!

Um luto com novos horizontes.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ah, pois é.

Ao início, é bom. Depois, é indiferente. No fim, fica-se com saudades do calor. Falo de...
... acordar sozinha!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O que é isto?

Hoje é isto.
Tenho saudades de uma coisa que não vivi em pleno. Bateu o vazio do resto que sobrou. Uma nostalgia da falta do máximo, ainda que tenha dado tudo o que podia.
Hoje, é isto.
E não me sinto mal por isto.
Sinto-me
estranhamente
feliz.

T2 para um e meio: na fila do MacDonalds

Estamos à espera do Sundae. Um de caramelo, um de chocolate. Põe-se ao nosso lado uma anã. Prevejo bronca.
O Um não resiste. Começa por se pôr em bicos dos pés e a medir forças, que é como quem diz, centímetros, com a senhora. Discretamente, começo a empurrá-lo para baixo. Olha-a de cima. Oito anos e mais alto que um adulto. Que é que se quer mais para afagar o ego? Recebemos os Sundaes, vamos embora.

Um - Mãe, aquela senhora era anã?
Meio - Era.
Um - Nunca tinha visto nenhuma...
(...)
Um - Mãe?
Meio - Sim?
Um - Ela tinha uma voz mesmo estranha.
Meio - Diferente. Tinha uma voz diferente. Como todos nós.
(...)
Um - Mãe?
Meio - Simmmm? (Sim, as mães também perdem a paciência)
Um - Os anões são de outra espécie?
Pergunto-me onde que raio vão buscar estas ideias!
Um - Há um no Senhor dos Anéis que... (blábláblá. Desligo)
Já sei onde vão buscar estas ideias.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

T2 para um e meio: decisões sérias exigem comemoração

Um - Mãe, quando for grande, vou ser primeiro-ministro!
(Confirmo as suspeitas. Faço sons de agrado.)
Um - E depois, mãe, a nossa família nunca mais vai ter de trabalhar!!! Sou eu que vou mandar...
Meio - Confesso que gosto dessa ideia!
Um - Eu também. E acho que a minha decisão merece uma comemoração...
(Hum... que estará ele a tramar?)
Um - Que tal irmos à Telepizza?
(Pois)
Meio - Vamos nessa, Sr. Primeiro-ministo! Hoje pago eu.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Amor em guerra

São raras as vezes que sonho com o Um. E gosto assim. Quando sonho, é para ter medo, preocupação ou angústia. Como hoje. Sonhei que o Portugal estava em guerra e que fui incompetente na tarefa de protegê-lo.
Acordei triste.

Acho que é isto que sentem as mães nos países devastados pela estupidez humana. Só que elas não têm o privilégio de acordar. O mais certo, é nem terem o privilégio de dormir, quanto mais de sonhar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Bolaño

Hoje lanço-me às 1030 páginas de 2666.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São rosas, meu senhor.

Depois ele sentou-se ao piano, com os dedos livres, tão livres que pareciam pequenos farrapos de uma alma que se esfumou anos atrás. E bateu em cada tecla com um amor metódico, melódico, complexo, irremediavelmente e erradamente irreversível e irreparável.
E tocou. Fez ali, perante os meus olhos cegos, o meu corpo lívido, a minha mente gelada, a canção mais bonita que já ouvi.
Apertei o regaço, procurando nas entranhas um sinal de minha humanidade.
- O que trazes aí? - olhou-me.
- Sâo rosas, meu senhor.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Entendimento

Ele sorri. Surge a perfeição. Ela baixa o olhar. É afeição.
- Ouvi dizer...
- Não sei.
- Entendo.
Entendem-se.
Ela sorri. Sente a redenção. Ele baixa o olhar. É afeição.
Eles, nunca o serão.