quinta-feira, 18 de março de 2010

Did I say that I need you?


Pearl Jam nunca esteve entre as minhas preferências musicais. Mas faz-me sempre sorrir. Porque me traz à memória alguém que desde sempre esteve, e estará sempre, entre as minhas pessoas preferidas. Ele é:
O (único) rapaz que ainda hoje receberia de pijama sem sequer me importar com isso; a pessoa que sempre desenhou melhor do que eu - que ainda hoje só faço rabiscos - e a raiva que isso me dava; o homem que, nos raros encontros que temos, me abraça como se eu fosse importante; o único amigo que me viu amamentar o Um e nem um pouco de vergonha por isso. O companheiro de risadas na praia, quando éramos crianças. Aquele que tomou conta de mim, que no Natal me vinha sempre trazer uma prenda a casa, que quando não me apetecia dar nem mais um passo, me dizia que só faltavam uns minutos para chegarmos à meta - ainda que, na verdade, faltassem horas -, que me deu o cd de The Offspring, quando lhe pedi Oasis, e me levou àquela que seria a minha banda preferida de adolescente, aquele que passou muitas noites ao meu lado, só na conversa, em tendas que eu odiava, e com o qual fiz a minha primeira viagem de avião, onde experimentei a primeira mousse com cheirinho, que ele adorou e eu fiz mil e uma caretas. E depois, foram quinze dias a comer gelados Twix e a cantar ao professor de inglês «Max, não sabe nadar, iô»!
Tenho saudades tuas. Daquelas que, quando me lembro, me deixam sem respiração. Just Breathe. Acho  que seria o teu (sensato, como sempre) conselho.

Naive? Jamais!

Mais uma excelente dica de sobrevivência. Do To Do.

O futebol (co?)move os portugueses!

Ora senão, vejamos:

1 - A empresa onde trabalho só recruta sportinguistas - eu, única ovelha negra, adepta do Benfica, escapei por lapso da directora que, na entrevista, se esqueceu de me perguntar por que clube torço.

2 - A chefe desmarca reuniões porque está na hora - leia-se, falta uma hora - do jogo do Sporting.

3 - Dou por mim, no meio da A5, a ouvir relatos da TSF e a gritar, em plenos pulmões e de forma pouco glamourosa: "Golooooo"!!!

4 - Demoro mais meia hora a chegar a casa porque a segunda circular está entupida com sportinguistas e espanhóis.

Teoria sustentada?

Nota - Quando a chefe se lembrar de perguntar de que clube sou, vou grunhir um: «Ó doutora, eu cá não ligo nada ao futebol!». Mais vale assim do que ser dispensada, não?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Primeiro estranha-se...

Dou por mim a gostar de Sookie Stackhouse. Quase tanto quanto de Jason Stackhouse.

Aprovado

É bom não se trabalhar à quarta de manhã!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Afinal ainda há coisas boas

Descubro um projecto tão bom, mas tão bom, que já passou a fazer parte das minhas páginas diárias.

Sugestão cultural #4: Arrepios garantidos

Não sei porque tenho guardado esta maravilha para mim, mas tanta beleza, é desperdício não partilhar.

Imperdível: Body Without Limits, de Judith Barry e Sem Rede, de Joana Vasconcelos.

No CCB. Onde passarei maravilhosas horas de almoço.

Sugestão cultural #3: Celebremos, irmãos

Amanhã, na Aula Magna. Because Dog days are over.

Lição#8: Ainda bem que perguntas

Amiga - Olha lá, o que é que andaste a fazer no teu último trabalho*?
Reflicto.
Meio - Amigos!

Conclusão: nunca dês nada por perdido.

*Estágio de oito meses, sem fim à vista, mal remunerado, com poucos direitos, nenhuma evolução e a ter de aturar gente maluquinha.

domingo, 14 de março de 2010

O duelo

Bom, bom, era o meu amiguinho arranjar um programinha de bola...
Fica a ideia no ar!

Comigo, a partir de hoje

sábado, 13 de março de 2010

T2 para um e meio: reacção ao programa da Rádio Comercial

Meio - Então, quem é a pessoa mais famosa da rádio, quem é?
Voz de quem foi interrompido num convívio em Peniche e estava mortinho por não ter de atender o telefone.
Um - ... É o Bruno Aleixo.

Perdoem-me Comercial, que eu sei que é da concorrência, mas o Um adora o raio do bicho!

97,4

Por fim, a opinião!

2666 foi o único livro que fiz careta de cada vez que o enfiei na mala. O motivo foi, obviamente, as suas 1030 páginas (quem diria que um chileno conseguiria, depois de morto, acentuar a minha deficiência na cervical?). Além das rugas, acumulei também alguns olhares esbugalhados de cada vez que tirava o livro da mala e me punha a ler 2666 num local público. Comentários como «está doida» ou «mais valia ler a bíblia» foram recorrentes. E certeiros, estou em crer.  
Foram dois meses e cinco dias, após muitos planos de leitura. Sim. É preciso disciplina para poder dar seguimento aos livros que fui acumulando e que estou desejosa de começar. Quantas páginas por dia tenho de ler para acabar no dia x? Ridículo, eu sei, mas quis Bolaño que, aquela que dizem ser a sua obra prima, fosse, para mim, este desespero. 
Pode parecer uma incoerência mas, ignorando a quantidade e focando na qualidade, eu até classificaria o livro de leitura fácil. Os obstáculos surgem quando há páginas inteirinhas de puro aborrecimento que, no meu entendimento, não acrescentam nada de novo à história, personagens que se perdem e, sobretudo, um final incompleto. Neste último ponto, não por culpa de Bolaño, saliento.
Tivesse eu algum poder editorial e respeitaria a decisão do autor: cinco livros separados. Um primeiro, algo repetitivo, mas estimulante para quem acha piada às brincadeiras entre dois homens e duas mulheres. Um segundo agradável. Um terceiro e quarto livros para esquecer e, por fim, um último, perto da genialidade. E assim, ter-me-iam poupado a uma leitura disciplinada, oposta, por definição, de uma leitura prazeirosa. De longe, a minha preferida.

Posto isto, porque é que me apetece comprar O Terceiro Reich? Bem, não custa experimentar Bolaño uma segunda vez. Pelo  menos, são só 352 páginas.

Aqui já fui feliz #1: Costa da Caparica


A Costa da Caparica é um desespero. O acesso - odeio pontes -, horas a fio no trânsito, mais umas horas no trânsito, encontrar sítio para deixar o carro... e a lista podia continuar ad eternum, mas vou terminá-la com aquele que é o maior dos desesperos: no Verão, conseguir um lugar para estender a toalha sem ficar entalada entre o senhor de meia idade peludo e com barriga besuntada de óleo e a senhora sua esposa, também de meia idade mas com aspecto de idosa, com as peles penduradas, mal tapadas por um biquini demasiado reduzido.  

Ainda assim, eu já fui feliz na Caparica!

Em tempos idos, namorada de surfista, passei muitas tardes estendida naquelas areias, almoçei frequentemente no Verde e Amarelo e vi bonitos fins-de-tarde na praia da Saúde.
Mas a Caparica não foi só amor: foi desamor. Lembra-me amigos que, em ocasiões diferentes, me levaram à Caparica para juntar ao mar o sal das minhas lágrimas. Faziam-me esquecer de pessoas que, hoje, nem me lembro mais quem são... só porque foram tantas!*
E nem foi só amor e desamor: foi amizade. Lembra-me de tardes a torrar ao sol, de estrangeiros a imitarem tubarões, de chapéus de sol (mal) partilhados, de sessões fotográficas sensuais à beira-mar, de batidos de morango podres, belíssimas tostas de frango, e de amigos que ainda hoje me levam propositadamente à praia para me verem de biquini, mas eu nem me importo com isso porque, pelo menos, levam-me à praia.
Mas foi do que isso: foi maternidade. A primeira vez que o Um, com seis meses, sentiu a areia escapar-lhe entre os dedos. E as experiências tresloucadas de pais ainda mais tresloucados: sentar o bebé na praia, correr para tirar uma foto e voltar a correr ainda mais rápido, mesmo a tempo de agarrá-lo antes de tombar na areia - ele ainda não se sabia sentar, mas pelo menos guardo a foto de recordação, um bebé gordinho e com a cabeleira repleta de caracóis. E claro, os longos passeios a empurrar o carrinho que mal cabia na bagageira do Fiat vermelho, uma mala de bebé enorme, pesada, ao ombro, e de uma senhora que, à força, queria partilhar uma banana com o Um, porque «Coitadinho do menino, está a olhar é porque quer, e tire daqui do fundo que eu ainda não lá pus a boca!»

Hoje passei a tarde na Caparica e dei por mim feliz por regressar. Notoriamente mais bonita, encontrei lá a tranquilidade que precisava para terminar o (interminável) romance de Bolaño. Encontrei sol, um almoço tardio, um sorriso inesperado sob um olhar atencioso, e o mar ali ao lado. Tudo isto para me recordar disso mesmo: «Aqui já fui feliz».

Mesmo que seja a um Sábado... é bom trabalhar a dez minutos da praia, não é?


*Nota - Se há coisa que me faz chorar é o amor. Mesmo que não seja, verdadeiramente, amor.