quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Se aparecer nas notícias, eis a minha confissão:

Hoje roubei uma Volta ao Mundo edição especial de José Luís Peixoto numa bomba de gasolina. As coisas que se fazem quando se está a tentar pagar Gasolina 95 sem chumbo na bomba 2 enquanto se ouve uma conversa altamente estúpida da chefe ao telefone. Saí dali como se nada fosse, gasolina 95 no Suzuki, José Luís Peixoto a prometer-me o mundo na mão*. Se calhar o senhor da bomba até viu, mas teve pena de mim. Honestamente, sempre que ela me liga, apetece-me vomitar.

*Nunca confessei isto em voz alta, ou em voz escrita, mas tenho uma pequena fantasia com o José Luís Peixoto. E nem sequer é sexual, se bem que ele até me parece uma pessoa bastante engraçada. É que antes de adormecer, faço questão de pensar nos meus sonhos. Bons. E isso, por vezes, inclui o senhor a apresentar o meu primeiro livro enquanto eu lhe agradeço, com bastante modéstia, tamanha amabilidade. Chamem-me parva, mas lembrem-se que eu sou a mulher dos pesadelos. Se não sonhar coisas boas acordada, quando é que vou sonhar?

T2 para um e meio: Se ao menos viessem ensinados...

Estou extremamente irritada. O meu filho é despistado. Para quem me conhece, sabe que esse é um dos defeitos que mais me enerva. E pior... está na idade em que me tenta enrolar. Resultado?
Hoje perdeu a chave de casa. Dentro do prédio, diz o petiz. Pois, como se eu acreditasse. Se ainda morassemos num arranha-céus. Agora num prédio de três andares... hummm. Cheira-me que essa chave anda por caminhos bem mais sinuosos. Agora é esperar que a tomada de posse de quem a encontrar não se dê comigo em casa. Se calhar devia parar de ver o Zone Reality. Ou se calhar devia dar uns açoites no miúdo. Por enquanto, vou só ficando uma mãe extremamente chata. Que grita. E eu detesto ser a mãe extremamente chata-que-grita-e-que-depois-fica-a-sofrer-dos-nervos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não há coincidências

Acendi uma vela para te ter mais perto de mim. Abri um livro e li o teu nome.
E se o pudesse escrever, estas duas frases ficariam muito mais bonitas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sonhei com Moscovo

Era noite. Estava linda. Não sei se era Moscovo. Nunca lá fui. Mas que fiquei curiosa, fiquei.
A minha cabeça anda a viajar muito. Ai anda, anda.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

À conclusão#2

Não é defeito. É mau feitio. Ou saber que a partir daí, é sempre a descer. E eu gosto é de estar nas nuvens. Deixei de ter idade para ter os pés na terra.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À conclusão:

I don't like second dates anymore.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

T2 para um e meio: um dia há-de chegar o dia

Noite de Carnaval:
Meio - Posso ir à discoteca?
Um - Podes.
Meio - E tenho hora para chegar à casa?
Um - Que horas são?
Meio - Dez.
Um - Tens até à meia-noite.
Chego às quatro. Deito-me ao lado dele.
De manhã, assim que abre os olhos:
Um - A que horas chegaste ontem, mãe?
Meio - A que horas te deitaste, filho?
Um - Meia noite e meia.
Meio - Ah, foi por pouco... cheguei à uma.

Eis o meu filho. Genuinamente controlador. Espera até se inverterem os papéis.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

E ainda perguntam porque é que eu gosto do Alvim#3000 e 1

Eu vi-o. Imediatamente, usei a técnica de olhar de lado pessoas famosas. Mas por dentro, estava aos pulos, extasiada por estar ao lado de uma das pessoas que mais admiro. «Alvim, Alvim, olha para mim»! Quem me conhece sabe. Já cheguei a receber t-shirts com o homem estampado- ainda hoje durmo, carinhosamente, com ela. Ou com ele, melhor dizendo. Posters gigantes, e até o título de fã número um, numa brincadeira de Natal. Já chegámos até a trocar sms's em noites de bebedeira - minhas, claramente -, sim, porque até o número do homem tenho, e às vezes os copos dão-me para cenas parvas. Devo salientar que esta paixão em mim exclui qualquer carácter sexual. Acho-o inteligente, empreendedor e, sim, vá lá, fofinho. Quem nunca leu um livro dele pode não perceber bem este último adjectivo, mas quem leu, não consegue discordar deste dogma: o Fernando Alvim é fofinho.
Miraculosamente, ele lá olhou. E mais. Escolheu-me, a mim, para fazer uma pergunta. Importantíssima. Aqui vai a conversa (estou inchada e isto não vai lá com Activia da Danone)
 - Pode ajudar-me?
Posso, Alvim! Então não posso? Ele dirige-se para a zona da higiene dentária, e eu quero lá saber, vou maravilhada.
- Acha que esta escova de dentes é boa? É que eu queria uma escova de dentes boa, e esta parece-me a mais diferente daqui...
Eu ri-o-me. Tenho de me rir, tenho nas minhas mãos o poder de escolher a escova de dentes do Alvim e nem sequer percebo nada do assunto. Mostra-me uma escova iónica. Seja lá o que isso for, parece uma coisa chique. E boa. O preço confirma: 10 euros.
- Sim, essa é óptima. Quem compra, está fidelizado.
- Fidelizado. - Ele repetiu a palavra e eu achei a coisa mais querida do mundo, o mestre das palavras e da comunicação em portugal repetir uma palavra que eu disse.
Ele vai pagar à caixa, e eu fico-me, sorriso na boca, dia ganho. É a primeira vez que o vejo ao vivo e, ainda por cima, escolhi-lhe a escova de dentes, embora, tecnicamente, só o tenha incentivado a levar algo que ele já escolhera. Estou a pensar nisto, quando ele volta para junto de mim e pergunta:
- Onde disse mesmo que era o elevador?
- Não disse. - Oh isso, agora arma-te em engraçadinha com o maior humorista português. - Não disse, mas posso dizer! - mostrei-lhe o caminho.
- Oh, obrigada, estou um bocado perdido....
Sabes, costuma acontecer quando me vêem, Alvim. E a música ecoa: «I'm too sexy for my shirt...too sexy for my Alvim shirt». Brincadeira. Mas não resisto a dizer-lhe:
- Costuma acontecer... - Sorriso. Branquinho, Alvim. Não preciso, mas talvez também eu passe a usar escova de dentes iónica. O quão psycho seria, eu de t-shirt alvinesca, lavando os dentes com uma escova igual à sua...
Bom dia, hoje. O meu primeiro encontro com o Alvim. E vou de férias.
A mala já está à porta. Fui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sonhei com Roma.

Era noite. Estava linda. Era Roma. Mal posso esperar para pousar os pés em Termini, numa mão a mala, na outra, o Um.

(... eu não digo que agora são só bons sonhos? Aleluia!)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Eu não tenho um amor.

Rais'ma partam se o que sinto aqui no estômago não é um bilião de amor!



Se eu festejasse o S. Valentim escrevia um postal. Assim: Je t'aime. Depois desenhava a vírgula, e escrevia sem caretas as letras do teu nome, aquele que não sei pronunciar bem, que me põe de biquinho espetado quando te chamo. Não, não usaria o diminuitivo que outros usam, travando a doçura do teu nome. Pudesses tu ser diminuído!, sabem lá os outros a tua grandeza... Escreveria o teu nome. Tinta em postal. Vincada, entrelaçada como a tua existência em mim. 
E se, por acaso, o santo fosse incansável na tarefa de te encontrar, para lá do equador, tu terias na mão a prova de que, quando disse adoro-te, foi somente o diminuitivo do sentimento em mim. Pudesse ele ser diminuído!, sabia lá eu da grandeza deste amor. O amor que me é mais difícil de pronunciar do que o teu nome, o teu nome que vou treinando em sussuros. Não vá um dia Valentim encontrar-te, entre latitudes e longitudes inimagináveis, entregar-te o postal e trazer-te de volta para mim. E se isso acontecer, talvez eu pronuncie, finalmente, o teu nome sem caretas. Ou talvez te diga apenas: Moi aussi

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Resumindo

Sexta-feira, um sorriso ao pisar torres vedras e um telefonema a deitar por terra a felicidade de estar na terra: o Um adoeceu. O stress de tirá-lo da escola em tempo útil. Muita birra, muito mimo. Um sábado cheio de trabalho, e uma tarde de muito mimo. Um domingo caseiro e relaxante. Uma segunda-feira que não apetece, mas que acontece com a perspectiva das férias. Que não vão ser férias, vão ser a montagem de um projecto. O primeiro risco da minha vida. A começar já em Março. E o silêncio. Que gente que nos quer mal não falta. E eu às vezes acredito em merdas.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Este pode ter sido um dos livros da minha vida

Eu não sei se foi. Mas sei que estive em todas as páginas, em todos os personagens, em cada sentimento e em cada pensamento. Albert Espinosa parece ter decidido contar-me, quando criou esta história. Seguindo a sua linha, talvez ele tenha mesmo o dom. Se nos cruzámos, não foi há muito, e usou-o em mim. Nesse momento, viu claramente os doze momentos da minha vida. A maternidade, o sexo, o amor, os sonhos e a paixão que tenho por dormir, entrelaçado do medo que me deixa sonhar. O jazz, o pai, a solidão. Os cães, a dança, a Plaza Mayor. Os hotéis e a arte de um bom banho.  
Termino o livro em lágrima. Uma, de pena. Porque no fim, quero saber mais de mim. E porque Espinosa pôs Marcos a pintar a rapariga do Espanhol. Num quarto que em tudo me recorda o meu. Como em tempos tu me pintaste. Cores que me definem, talvez erradamente, porque não soubemos adiar a celebração do reconhecimento que sentimos: as nossas almas que, naquele dia, se voltaram a olhar, enfim. Lembro-me da magia. Sabíamos que estavamos ali um para o outro. E se for como imaginaste, Espinosa, que se lixe o desencontro com que nos punimos, em pleno planeta 2. Voltaremos a estar juntos. Temos mais quatro oportunidades e uma ligação sem fim.
Quando morreres, leva contigo a tela. Sempre gostava de ver como ficou.

Genial. Espero nunca partir a caneca.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Eu já tinha dito que efemérides é comigo!

Costumam achar que eu dou demasiada importância ao dia de hoje. (Guilty)
Em 28 anos, nunca me lembro de não ter sorrido neste dia. Nunca me lembro de não ter recebido um beijo das pessoas que mais adoro. Nunca me lembro de não ter recebido mimos, atenção ou reunido a família à mesa. Nunca me lembro dos meus amigos se terem esquecido de mim.
Faz hoje 28 anos que olhei, pela primeira vez, o mundo. A minha mãe, que me recebeu nos braços, o meu pai, que me embalou ou a minha irmã, que só acalmou no dia em que me trouxeram para casa. E foi este dia que me permitiu fazer uma grande colecção, de valor inestimável, de bons momentos e boas pessoas.
Gosto de viver. Uns dias mais, outros menos, mas gosto disto, caramba! Genuinamente, gosto da vida. Por isso, gosto do momento em que toda esta viagem começou. Dois de Fevereiro. Era o ano de 1984. E nunca me vou achar velha demais para celebrar a data com um sorriso. Não. Dessa não me convencem!

Parabéns a mim! E a todos os que em 28 anos, persistiram!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Descobri que foste tu o meu amor

31 de Janeiro. Levaram-me a jantar a um marroquino. São onze e ligo o carro. A rádio fala qualquer coisa sobre sexo e trovoadas. Eu queria acreditar que é o mundo a sussurrar-me que ainda podíamos tentar. Que é o mundo a fazer questão de me cortar o entusiasmo que quero sentir com outros rapazes. Quem sabe, foste tu que lhe pediste para, ora na música, ora na língua, nos sítios e nos paladares, me fazer lembrar sempre de ti. Não me escondeste. São amigos, tu e o mundo. Os melhores. Facilmente lho terias pedido, e ele, fiel amigo, facilmente o faria. Meia-noite. 1 de Fevereiro. Nunca odiei tanto a chegada de um Fevereiro. É o meu mês. E eu que cheguei a sonhar que seria mesmo o meu mês. Desistias do mundo e eu dava-te o meu amor. Era tudo quanto me bastava. Meia-noite. 2 de Fevereiro. E de prenda, já só queria os trovões. Ou o aconchego do abraço que sei,  encontraria em ti.