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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Nas palmas

A cigana quis segurar-me a mão. Pediu para a olhar nos olhos. Fundo. Eram mel. Disse:
- Há um amor que não consegues esquecer, filha!
E eu penso: «Ora bolas,! grande coisa. Todos nós temos um amor que não conseguimos esquecer.»
- Dá-me a tua mão, anda. Deixa-me ler-te a sina.
E eu fecho-a e escondo-a atrás de mim como se trouxesse na palma que ela pede a vergonha do sentimento. Olho fundo, afundo-me no mel.
- A minha sina, cigana, a minha sina é essa mesmo. Não esquecer um só momento desse amor, lembrar-me todos os dias como sabe, sem nunca mais o poder levar à boca. Sem nunca mais o provar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

As coisas que eu sei...

...e não posso dizer fazem-me sempre dar uns sorrisinhos bons. Malandros.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Do lado de lá

Gostava de nos ver ao sol, peles morenas, passeando na cidade que deixou de ser minha para ser um pouco nossa. Olho as ruas e só nos vejo envolvidos em frio, embrunhados em nós, amêndoa amarga em uísque, marlboro com chesterfield. Encolhidos, recolhidos. E penso como seríamos com sangrias, sardinhas e calor. Como seríamos de manga curta e dias longos. Que esplanadas escolheríamos para nos beijarmos apaixonadamente e apreciar os belos fins-de-tarde lisboetas. Quem sabe, castelos. Penso em ti e imagino como seríamos se ainda fossemos. Se ainda pudessemos ser sandálias na calçada, mãos suadas, dadas, escolhendo os recantos para um mimo quente, mais quente do que a cidade, mais refrescante do que o vento que nos sopraria o Tejo, o Tejo que olharíamos, tons prata, versando simplesmente sobre os limites do horizonte que não vês, e que me contas, em segredo, não existem. Ando devagar pela cidade, passeio nos nossos museus. Fecho os olhos e sugo das conversas dos turistas o teu jeito de falar. Finjo que cada um deles és tu. Abro os olhos e desiludo. Mas descanso, olhando em direcção da zona onde rio e mar se imiscuem. Faz-me sorrir. Sei que, se pelo menos não houver limites, temos o mesmo horizonte. Ainda que o vejamos por lados opostos do mundo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Siempre me quedará


Continuo extremamente emocional. Eu não sei, mas dá-me a ideia de que o Mundo decidiu lembrar-me o passado. Ele é caixa de recordações, ele é telefonemas e conversas com pessoas que não falo há muito tempo, ele é reencontros com pessoas que quero abraçar muito, ele é músicas que fazem sorrir...
Será que é altura de balanço? É que eu nunca me esqueci como fui feliz no princípio dos meus 20, embora, honestamente, alguns episódios já estejam assim farruscos, essa sensação de que foram uns tempos excelentes, nunca a esqueci... feliz, ou infelizmente, até diários eu encontrei. Nem sei... se a criança me encontra aquilo, meu deus, tenho de chamar o INEM.
Fui feliz, de uma forma diferente da que sou feliz hoje. Sobretudo, fui louca, um pouco. Sempre com os meus dias de mãe em equilíbrio, que acredito que me impediram de tombar demais. E como conversava com uma grande e sábia amiga minha, temos histórias que nunca mais acabam... tantas, que nem parece que foram vividas em tão pouco tempo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quando te revi, naquela noite...

... soube que isto era possível. E soube que no dia em que te contei o sonho, também tu te apaixonaste um pouco por mim. E agora? Sonhamos juntos? Se não quiseres, também podemos fazer amor.

sexta-feira, 2 de março de 2012

À espera do meu peito

Três anos passados sem te falar, e sei que já nem te conheço. Não tão estranhamente assim, hoje des(a)pontou em mim uma memória muito antiga. Acho que foi por estar a ouvir a Corinne Bailey Rae. Ou então foi o cansaço, a mente ainda me trai quando não estou alerta. Era noite quente de verão, mas isso pouco importa. Podia ser um dia chuvoso, já aprendi que o amor não tem relação com o boletim metereológico. Chega alheio a temperaturas. Sempre quente, sempre húmido. Naquela noite de Julho, esperávamos o táxi que me levaria a casa. Enquanto ele não chegava, olhavamos a rua. Tento recordar-me se estavamos em silêncio ou se trocámos palavras que entretanto perdi no tempo. Nada. Não registei esse pormenor. Tu abraçavas-me por trás e, estupidamente, tudo o que vejo de ti é o par de chinelos que trazias. Também sinto o teu cheiro, que depois dormiu comigo, prémio de um primeiro encontro ousado. Veio em mim a ternura desse abraço, senti-o, na verdade. Três anos passados, acreditas? Os teus braços no meu corpo. A moleza de um amor bem feito. E o peso do colar que comprei como amuleto.
Inadvertidamente, percebi nessa recordação como se manipula o amor. Oferece-se-lhe um colar. Só me apaixonei um par de vezes na vida. Nas duas, estreei um colar: o primeiro, perdeu-se na vida. O outro, anda perdido no mundo. Um dia arranjo um que não fuja do meu peito.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Prometo

Tenho um cliente, senhor dos seus 57 anos, cuja voz não engana: é jornalista numa grande rádio portuguesa. É daqueles clientes entusiasmados, cheios de sucesso na perda de peso, e que chora quando vê os números diminuirem na balança. Porque gosta do bom que a vida lhe traz. E a vida traz-lhe viagens a terras portuguesas, reportagens gastronómicas, amigos e bons vinhos. Ele sai sempre contente, sobretudo porque os quilos lhe saem do corpo com suor. O preço de abdicar dos prazeres estafa mais do que uma corrida de fundo. Mas quando fecha a porta, sorridente e aos saltos, deixa-me sozinha com a tristeza. Ele não sabe, mas quando se senta na cadeira, reflecte a minha desistência. Representa o círculo vermelho no calendário, ano de 2010, rodeando aquele dia de Janeiro em que traí um amor louco pelo jornalismo por uma relação estável com a nutrição.
Ao fim de dois meses, abro o jogo. Ele espanta-se. Faz-me perguntas sobre o meu percurso profissional. No fim, olha-me, atordoado. Parece que levou com um pau na cabeça ao curvar uma esquina:
- Caramba, mas você é tão boa nisto! - Sinto desilusão na sua voz. Percebo que, neste tempo, em silêncio, ele admira o meu trabalho como eu admiro o dele.
Encolho os ombros. Sinto fraqueza no coração. Agradeço e agarro com força a belíssima caixa de trufas de chocolate que ele me deu de presente - o seu humor é genial -, como se nelas agarrasse de novo a doçura daquele amor que um dia deixei. Honestamente, fico vazia ao perceber que afinal sou boa em algo que me entedia tanto. Explico-lhe, agora incapaz de evitar a maré-cheia que se adivinha no meu olhar:
- Mas contar histórias é uma paixão... - soo como uma filha. Aquela que se desculpa por um acto feio, inocentemente cometido. Imaginem: sou a menina que encheu a boca de trufas de chocolate, desobediente à ordem de comer apenas uma antes do jantar. Tenho os lábios gulosos, as mãos sujas, e a sensação de que desiludi o pai.
Só que ele, colando-se perfeitamente ao papel que lhe dei, responde-me com a resignação desse pai que aceita, por fim, que a filha escolheu um caminho diferente do que ele esperava.
- Venha almoçar comigo um dia destes. Vem?
Sorrio. Sorrio muito. Dentes cheios de chocolate, lábios gulosos e mãos sujas. A sensação do amor incondicional de um pai pelo filho, mesmo que ele coma uma loja de guloseimas inteira.
- Oiça, não desista. - Agarrou-me a mão. Deu-me um beijo na face. - Nunca desista!
E fez-me um tracinho no coração. Quando morrer, ele estará lá marcado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

T2 para um e meio: Yups, eu sabia!

Noventa e sete por cento e um recado da professora a dar-te os parabéns. Com um smile, que os tempos são modernos. Parece-me bem. Parece-me tão bem que te prometo mais um dia em Roma. E quem sabe se no próximo capítulo, sobre os Muçulmanos, fores tão excelente como tens sido, não vamos passar uns dias a Marrocos? A mãe está por tudo, meu pequeno José Hermano Saraiva. A mãe está maluca, mas está por tudo!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Expiação

Eu devia ter fugido com a Adriana. Sabia-me condenada, foi ela que me leu a sentença, naquele dia. Por mais voltas que dê ao mundo, não haverá alma que me alegre como a tua. Por esta noite, enrosquei-me em ti e senti-me livre. A próxima vez que o dia se for embora, conto com a exaustão. Passos atrás. Mas perdoo-me. Fui feliz. Até voei. E é tão raro ter sonhos bons.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Começo a compreender

Acho que é de ti que ela fala. Ou de alguém como tu. Tranquilo. Com quem possa falar horas. Sobre filmes. Sobre filmes italianos. Sobre tardes perdidas no aquecedor, enrolados em mantas. Sobre música, sobre danças. Acho que é de ti que ela fala, ou de alguém como tu: que me faça rir e, por vezes, poucas vezes, corar. Alguém que não se repara ao início, mas com quem vai apetecendo estar mais e mais. Alguém que se procura no meio de um grupo e sem se dar por isso, já está junto de mim outra vez. Conversando. Alguém que, subtilmente, revela uma beleza inesperada. Sim, é de ti que ela fala. Alguém com quem tenho algo em comum, tão raro, como poder cantar uma música italiana perfeitamente desconhecida de todos. Vou pensar em ti e tomar-te como exemplo. E da próxima vez que me apaixonar, será por alguém como tu. Prometo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Foi a felicidade

Ontem fui jantar aqui (perto). Eu fui muito feliz aqui. Contigo. Fiquei com o coração pequenino. Sou uma saudosista incorrigível. O frio a bater-me no corpo, um passeio pelas ruas quase desertas e o desfiar das lembranças. Foi um ano difícil. Vivemos coisas inimagináveis. Acredito que aprendemos mais lições do que as que pagámos. Não estavam incluídas no pacote e nem sempre foi fácil, mas estivemos sempre juntas. O jardim, os patos, muitos gelados, um especial. Uma aula de fotografia, as tuas gargalhadas mais contagiantes do que as memórias. Lágrimas, algumas. Confissões e indignações. Arritmias com fotografias em grande e a tua mão sobre o meu coração, que ainda hoje fecha essa prova de que um dia eu também amei. Pessoas que se perderam com o Valentim e a nossa ingenuidade. Ontem fui jantar aqui e vim de lá a chorar. Uma lágrima. De saudade dos tempos em que só ganhei: a percepção de que a escrita é mais do que um capricho em mim e uma amizade basilar, que me convence de que há pessoas fantásticas neste mundo. Mesmo que andem por ele com muita discrição.

O calor não vem

Rir. Gargalhar. Fazer soar no frio da noite a alegria que transborda. E depois chorar. Sem lágrimas. Agora sempre sem lágrimas. Cerrar os olhos, apenas húmidos. Vergar os lábios ao peso do sabor amargo que sobrou. E convulsar. Peito e corpo. A mente como uma esfera. Em perfeita forma. Também em perfeito desequilíbrio.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

I told you:

- I'm a messed up girl.
And you smiled.
- Messed up is good.
See where it took us? Messed up is everything but good.

(And now I'm in love)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Não há coincidências

Achei-te num outro corpo. Mais belo, perfeitamente perfeito. Descobri-te num outro beijo, numa outra língua. Mais doce, perfeitamente imperfeita. Entendemo-nos como se assim estivesse destinado, o mundo numa conspiração que nos uniu. Achei-te num outro corpo, os mesmos ombros, o mesmo peito, embora trouxesses uns olhos ainda mais bonitos.
E assim deixei-o entrar depressa, não fosse a terra tremer e levá-lo para longe. Mas foi. Mesmo depois de me agarrar com força, de me puxar para o seu corpo e de me fazer sonhar com novos suspiros e um amor inspirado. Tal como tu, foi. E eu deixei-me ir, também. Para um fundo que conheço de cor, onde a mente não descansa e o corpo não se materializa. Penso nele. Desejo-o aqui. E, sem querer, ponho-me também a pensar em ti.

domingo, 6 de novembro de 2011

Adoro viagens low cost

Trinta e cinco euros e resolvia-se isto... se ao menos soubesse o teu nome.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dubai

Hoje soube de ti. Um ano passado E lembrei-me disto: http://eucomocaracois.blogspot.com/2010/08/kisstupid.html (o tablet não é bom a fazer links). Do dia em que quis deixar-te um bilhete a dizer «gosto de ti». Não o fiz. Tola, se calhar, tinha agora um bocadinho de mim no Dubai.
E agora que penso nisso, porque raio foste sem um adeus? Um dia encontro-te e pergunto-te. Talvez nesse dia tenha mais coragem e te diga nos olhos. Cheia de coragem e de um sentimento nostálgico.
- Sabes? Um dia gostei de ti.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

(Até que a morte nos páre)

Não consigo evitar o pensamento que dariamos um lindo casal de velhos. Viajando pelo mundo, à procura de prazeres num bom vinho. - Queres branco ou tinto? - À procura um do outro. Tu, numa casa nossa, batendo a porta sem dizeres onde vais. Um beijo na boca e um até logo. Eu tranquila, sabendo que voltarás, por mais voltas que dás. No nosso jardim, aguardando até ver o teu sorriso regressar no abraço que sempre há para mim. À noite. No teu corpo recitando o mundo até ao silêncio. Ou simplesmente a fazer amor.

(Aposto que já te passou pela cabeça)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(São as insónias)

Quero dançar contigo. Corpos suados em ritmo, movendo-se coordenados. Quero dançar contigo com o mundo à nossa volta, música que nos mexe, ar quente que nos exalta. Cores que te assentam. Leva-me a dançar contigo, em desalinho, roupas e mãos. Dancemos unidos, até à síncope dos sentidos. E depois, quando te cansares, empurra-me para qualquer quarto de hotel, esgota-me só mais um pouco as energias e deixa-me, finalmente, descansar em ti.

Há duas noites que não durmo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Noites de verão

O calor, a sensualidade, a tentação. Aí. E aqui. A distância é lixada e o calor vai afastando os corpos. Os nossos. E outros ganham espaço, conquistam formas.
Não te esqueças, daí: deixa-me pedras no caminho. As migalhas, comem-nas os pássaros.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Augustus

Sim. Augustus surgiu numa procura insana de manter o Luke na minha vida. Sou assim: gosto de guardar um pedacinho das pessoas e lugares para mim. E preciso de matéria, seja ela um pedaço de papel, um bilhete de autocarro, uma fotografia, um perfume ou um livro. Gosto de trazê-las junto de mim, e isso faz com que, de repente, passe um mês com um volume de 382 páginas escritas em italiano sobre a história do Imperador Augusto.
Hoje terminou Augustus. Por isso, hoje terminou a minha história com o Luke. Um mês depois, vou-me despedir dele e deixá-lo numa prateleira, bem aconchegado entre todos os restantes amores da minha vida, os meus livros.
O bom de fazer destas cenas sem sentido, é que há sempre ensinamentos maravilhosos neste caos de acções em que por vezes me enredo. Descobri que, afinal, gosto de história, treze anos depois de ter fechado o meu livro dessa disciplina e ter escolhido não gostar de história. Foi só um capítulo encerrado, não um livro acabado. Descobri que poderia passar o resto do ano a ler livros de história, e que até já tenho o próximo debaixo de olho, este aparentemente apetitoso romance, vencedor do prémio Pulitzer, sobre uma personagem que foi levemente abordada em Augustus, e que me deixou água na boca. Vou conhecer melhor a Regina dell'Egitto, em breve! Descobri também que, ao fim de cem páginas, o italiano não tem grandes segredos para mim (devo confessar que ajuda este ter sido a minha terceira aventura por livros italianos e gostar de pôr filmes italianos aqui no DVD, vezes e vezes sem conta, somente para me deliciar com a língua dos meninos) e que os planos - ainda não partilhados explicitamente no Eu como caracóis - de passar um mês em Florença se torna cada vez mais volumosos, concretos e fácil de cumprir.
Depois de tantas descobertas, há o livro em si. O autor, John E. Williams, americano de nascença, fez um trabalho excelente ao romancear a vida de um dos Imperadores mais marcantes da história da civilização romana. E, não desfazendo o seu mérito (sei eu que poderá tornar-se ofensa, sendo eu uma pseudo-escritora-em-sonhos-quem-sabe-um-dia-e-isto-da-língua-em-que-se-escreve-é-o-orgulho-das-obras-literárias), um bem-haja ao destino que me trouxe este livro às mãos em italiano, e não em inglês. Porque assim é mais giro. Porque assim é mais coerente. E porque assim se torna mais volumosa, concreta e desejosa de cumprir a minha ideia de ir estudar umas coisinhas a Itália.
E quem sabe dar um beijo na boca ao Luke. Ai, o que eu queria dar um beijo na boca ao Luke!