sábado, 23 de janeiro de 2010

O meu Juno foi no ano lectivo 2000/2001

É demasiado pretensioso comparar-me a Juno, mas não resisto. Este é um dos filmes da minha vida e as razões, para quem não for óbvio, estão na trama principal: viver uma gravidez aos 16 anos!

Eu era a miúda pouco feminina para quem a música revolucionária era tudo. A barriga que carregou o Um cresceu nos corredores de uma escola secundária, entre os olhares de lado de muitos e o carinho dos melhores amigos de sempre. O sentido de humor (assumo que o meu fica muito aquém, ela é imbatível), a despreocupação natural de quem não sabe o que é pôr um bebé no mundo e a confiança de que há provações bem piores - arrisco-me a dizer que ter borbulhas no secundário é bem mais estigmatizante do que ter engravidado de um gajo mais velho, que fazia surf e nem sequer estudava (sim, foi o meu período rock and roll).
Mas não se deixem tentar com a ideia de que são estas semelhanças que me fazem adorar Juno. É mais do que isso e, sobretudo, tudo menos isso. Até porque Juno colocou na mesa duas opções que não me passaram pela ideia. É aqui que nos despedimos, mas não nos chateamos. Ela não vai andar, se tivessemos a oportunidade de assistir a Juno II, III e IV (qual Rocky Balboa ou Robocop), a insistir para o filho comer sem espalhar arroz até aos cabelos, nem a gritar «calça os chinelos!» e muito menos a implorar para diminuir o volume do som das brincadeiras. Mas Juno (sim, deixa-me tratar-te como se fosses mais do que uma excelente interpretação de Ellen Page), também não vais receber um beijo diário babado e cheio de chocolate, o abraço mais apertado, e muito menos experimentar o amor maior, o tal que realmente é sublime. Foi a tua escolha. Ou a que te destinou Diablo Cody.
Eu aplaudo Juno por outras razões: porque a gravidez na adolescência é um flagelo, mas não uma sentença de morte. Porque é tão desaconselhável como irreprovável. E eu sei que, moralmente e civicamente, os meus comentários são censuráveis, mas cansa-me que se olhe para esta problemática com fatalismo, que se coloquem bandas sonoras sinistras e nos classifiquem como "mães menores", não de idade, mas de maturidade ou capacidade.
Orgulho-me de ser a representação de uma verdade inabalável. Os maiores obstáculos são aqueles pelos quais não ainda passámos. Os outros, são canja. De galinha!

Obrigada Público, pela excelente oportunidade de comprar um dos filmes da minha vida por apenas 1,95€.

E agora, oiçam isto. A leveza do filme começa aqui:


2 comentários:

Ela adormecida disse...

É uma história muito bonita, apesar de o tema em questão ser algo estereotipado. Adoro o argumento, a sonoplastia (que bom vídeo esse que nos deixaste aqui no teu cantinho) e o realizador desse filme ;D

Ah, se também gostas dos filmes de Jason Reitman - http://us.imdb.com/name/nm0718646/ - não percas o que estreou esta semana!! Chama-se "Up in the air" (Nas nuvens). Eu ainda não vi, mas já li algumas críticas, e estou ansiosa :P

Também estou a fazer a colecção do Público. O filme de ontem (Control), quanto a mim, também é genial. Levou-me duas vezes ao cinema de tão "apaixonada" que fiquei pelo brilhantismo da direcção de fotografia, pelo actor que faz de Ian Curtis (e que é igualzinho a ele), e por ser sobre Joy Division, claro.. :P eheheh!!

beijinho

Ana Patrícia disse...

Lembro-me perfeitamente da nossa conversa sobre a tua ida ao cinema para veres esse filme.

Beijinhos