terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Passa a outro e não ao mesmo



Tenho alguns problemas com a forma como se «cagam» músicas hoje em dia. É como a solidariedade massificada mas pontual.
Sim, não aguento mais apelos para ajudarem as vítimas do Haiti e dá-me nojo que tanta gente queira adoptar aqueles meninos e trazê-los para um mundo completamente desconhecido apenas para satisfazer as suas necessidades (pouco) altruístas. Como se terem ficado sem ninguém que conheçam não fosse uma provação suficiente. E garanto que, de altruísmo e solidariedade, até me posso orgulhar de perceber um pouco. Está-me no sangue - não fosse eu orgulhosamente aquariana - mas sobretudo na educação. Cresci a ouvir histórias de familiares que davam banho a mendigos, não esquecerei o dia em que a minha avó me disse: «água e comida não se recusam a ninguém!» e orgulho-me daquela ceia natalícia que a minha mãe patrocinou a uma aluna, para que o seu Natal fosse menos triste, ainda que isso representasse (verdadeiramente) um sacrifício ao orçamento familiar.
Mas pronto. Se se compõe músicas express, que sejam boas e por uma boa causa, embora lamente - e não é o caso, ou não fosse Bono a Madre Teresa de Calcutá da música - que só se lembrem de ajudar quando as coisas más acontecem.
Ajudar antes das tragédias evita grandes catástrofes. Registem isto.

Ajudem todos os dias. Mesmo quando não podem.

2 comentários:

Ana Patrícia disse...

Belo gesto o da tua mãe ;) é uma querida :) E um exemplo de avó para o Um, que anda curioso com tudo e que só me provoca garagalhadas LOL

Ana Patrícia disse...

gargalhadas LOL nao fui a tempo de corrigir